





Fotografias digitalizadas de uma viagem à velha estação de
Caminhos de Ferro em Barca d' Alva datada de Agosto de 2000. O facto de estar abandonada não lhe retira a beleza decadente. E a paisagem envolvente é de cortar a respiração com o rio Douro logo ali em baixo e a sensação de estar em terra de ninguém. A raia provoca-me este tipo de sentimento é sempre uma mistura de duas identidades culturais diferentes, esbatidas por esta singularidade.
Esta viagem foi feita no nosso
2 CV da altura. Sempre por estradas secundárias percorremos o país e conhecemos sítios deste Portugal profundo em milhares de kilómetros percorridos neste carro. Sítios mágicos, perdidos no tempo, como as
Termas de S. Lourenço de águas quentes e sulfurosas, com um tanque de pedra onde o santinho velava a bica de onde jorrava a bendita água. Uma dúzia de casas e um café onde as moscas eram os únicos seres que quebravam o silêncio.
Lembro-me também daquele quarto no Alentejo que alugámos a uma velha anciã para pernoitarmos uma noite, com um tecto lindíssimo, as famosas
abóbadas alentejanas. E das andorinhas que escolheram viver no beiral desta casa. Lembro-me do alvorecer ruidoso da passarada e da luz alaranjada nas fachadas brancas das casas.
E de
Vilar de Perdizes quando acampámos com o carro no adro de uma igreja, solução encontrada pelo município para acolher os visitantes que vinham para o Congresso de Medicina Popular.
E muitas, muitas paragens em sítios indescritíveis.
Recordo-me de uma vez o carro fazer uma birra debaixo de uma chuva torrencial e resolver parar de vez debaixo de um pontão. Estávamos no distrito de Santarém. A solução foi aguardar e meter mãos à obra a rever e a limpar os contactos eléctricos. Fora isto, foi sempre um bom companheiro, Portugal e Espanha em estradas secundárias eram o seu território. Temos saudades destas viagens.